Manpower e MEO vão ter luta <br>ainda mais dura
SUBCONTRATAÇÃO Os trabalhadores em importantes áreas da MEO, contratados através da ManpowerGroup Solutions, exigem melhores salários e vínculo à empresa para que efectivamente trabalham.
No Grupo PT há dois mil subcontratados com funções permanentes
Fizeram greve no domingo e na segunda-feira, dias 25 e 26, os trabalhadores dos call-centers (centros de atendimento telefónico), do back-office (serviços de rectaguarda) e das lojas da principal empresa do Grupo PT (pertencente à multinacional Altice).
«São trabalhadores qualificados, desempenham funções que exigem muita formação e conhecimentos», onde «a exigência é a máxima, mas são pagos com o mínimo» pois, «na generalidade, o vencimento mensal de referência na empresa é o salário mínimo nacional», referia o Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual, ao confirmar a realização da luta, que incluiu ainda uma concentração na segunda-feira, das 11h30 às 14 horas, junto às instalações da Manpower no Porto (centro comercial «La Vie Porto Baixa»).
Um dirigente do Sinttav adiantou aos jornalistas, esta segunda-feira, durante a concentração, que «os trabalhadores estão dispostos a endurecer a luta». Hernâni Marinho, citado pela agência Lusa, lembrou que ocorreram quatro greves, com protestos na rua, no ano de 2017, uma vez que as empresas não deram mostras que quererem corresponder às reivindicações. Agora, «se as empresas se mantiverem com a mesma posição de não abertura ao diálogo, os trabalhadores irão reunir-se em plenário para dar continuidade à luta».
Este dirigente do sindicato da Fectrans/CGTP-IN avaliou os níveis de adesão à greve em 50 por cento, no domingo, e 60 por cento, na segunda-feira.
Na concentração compareceu Jorge Machado, deputado do PCP, que deixou palavras de apoio e estímulo aos trabalhadores em luta.
Exploração ao máximo
O sindicato reafirmou, na véspera do início da greve, que tem mandato dos trabalhadores para negociar as reivindicações com a MEO e com a Manpower. No entanto, «ambas têm mantido completa indisponibilidade para a criação de condições» que permitissem «iniciar uma aproximação das partes» e «recuperar a estabilidade social e laboral entre uma comunidade de mais de dois mil trabalhadores».
Os plenários, concentrações e greves com adesão sempre crescente (80 por cento, a nível nacional, no dia 13 de Novembro, quando muitos trabalhadores fizeram greve pela primeira vez) levam o sindicato a afirmar que a luta deste último ano na MEO e Manpower «está a ser seguida com muito entusiasmo» também por trabalhadores que laboram em empresas do Grupo PT, assegurando necessidades permanentes, através da Randstad, da Talenter e da Egor, entre outras, e igualmente por «trabalhadores que se encontram nas mesmas condições, com as suas vidas adiadas há muitos anos», noutros operadores de telecomunicações (a Vodafone e a NOS) e nos mais variados sectores.
São empresas, acusa o sindicato, «reincidentes no recurso ao outsourcing e ao trabalho temporário, na busca da exploração de mão-de-obra altamente qualificada e paga com o salário mínimo nacional».